Cumprir o Último Desejo do Meu Pai: A Luta para Trazer João Fernandes Pereira Carapinha de Volta a Zibreira
Por João Luis Carapinha
Filho do falecido João Fernandes Pereira Carapinha
O meu pai, João Fernandes Pereira Carapinha, faleceu a 31 de julho de 2026 na África do Sul. Desde o momento em que nos deixou, a nossa família enfrentou uma dolorosa disputa sobre os seus últimos desejos. O que deveria ter sido um tempo de luto transformou-se rapidamente numa batalha determinada para garantir que o meu pai fosse sepultado de acordo com o seu desejo claramente expresso ao longo de toda a vida — ser repatriado para Portugal e sepultado em Zibreira.
Esta é a história dessa luta e de como consegui, por fim, trazê-lo para casa.
Um Desejo Claramente Expresso ao Longo de Toda uma Vida
Durante muitos anos, o meu pai repetiu-nos:
«A minha queda será súbita e depois vocês terão de me enviar de volta para Portugal numa caixa.»
Nunca falou de cremação. Nunca a autorizou. O seu desejo era claro e consistente: ser repatriado num caixão e sepultado em Zibreira, de preferência com ou perto da mãe.
Soube depois que o testamento registava igualmente o desejo do meu pai de ser sepultado em Zibreira.
A Luta Imediata Após a Sua Morte
Poucas horas após o falecimento do meu pai, na manhã de 31 de julho de 2026, avançou-se dentro da família com um plano de funeral e cremação na África do Sul, com as cinzas a serem colocadas numa urna e «levadas para Portugal um dia».
Afirmei de imediato e de forma repetida que este plano contrariava tudo o que o meu pai expressara durante décadas. A cremação nunca foi uma opção para ele.
Entre 1 e 3 de agosto de 2026, criei dois grupos de WhatsApp que incluíam toda a família e os diretores funerários. Em mensagens escritas detalhadas, eu:
- Registei formalmente os desejos do meu pai ao longo de toda a vida
- Solicitei o testamento, a certidão de óbito e os documentos relevantes
- Deixei claro que qualquer cremação seria fortemente contestada
Quando o plano de cremação não foi totalmente abandonado, preparei uma providência cautelar urgente no Tribunal Superior da Gauteng. O objetivo era interditar qualquer cremação e ordenar a repatriação dos restos mortais do meu pai para ser sepultado em Zibreira.
O registo escrito claro que criei, combinado com a ameaça credível de ação judicial imediata, revelou-se decisivo. O plano de cremação foi interrompido.
Trazer o Meu Pai para Casa
Uma vez tomada a decisão de respeitar os seus desejos, o processo de repatriação teve início. Paulo (o diretor funerário sul-africano) obteve todas as autorizações necessárias, enquanto Pedro, da Agência Funerária em Portugal, tratou do jazigo e das formalidades locais.
Os restos mortais do meu pai saíram de Joanesburgo a 13 de agosto de 2026 e chegaram a Lisboa a 14 de agosto de 2026, às 22h25. A minha família e eu estávamos à espera no aeroporto para o receber. Após várias horas de papelada, pagamento de impostos e burocracia governamental, só concluímos a transferência dos restos mortais para as instalações da agência funerária às 3h00 do dia 15 de agosto de 2026.
A 18 de agosto de 2026, o meu pai foi sepultado no Cemitério de Zibreira (Torres Novas, Santarém), de acordo com os seus desejos de toda a vida. Coube-me a honra de proferir a oração fúnebre. Li também as contribuições escritas do meu irmão e da minha irmã perante os cerca de 30 familiares e amigos presentes. Muitos familiares agradeceram-me posteriormente por ter partilhado histórias sobre a vida do meu pai que desconheciam.
Reflexão Final
Nunca se tratou de ganhar uma discussão familiar. Tratou-se do dever de um filho de proteger e cumprir os desejos claramente expressos do seu pai — mesmo quando outros tentaram ignorá-los.
Hoje, João Fernandes Pereira Carapinha repousa em paz em Zibreira, o lugar que sempre considerou a sua casa. Só isso me traz consolo e encerramento.
Descansa em paz, Pai.
Estás finalmente em casa, onde deves estar.
João Luis Carapinha
Filho de João Fernandes Pereira Carapinha
